A IBM e o Grupo Dallara, especialista em fabricação de veículos para competições automobilísticas, anunciaram na semana passada uma colaboração para o uso de inteligência artificial em design e otimização. O acordo também prevê a exploração do uso de computação quântica. O objetivo é pesquisar como acelerar o design aerodinâmico e criar fluxos de simulação mais avançados.
A Dallara é conhecida pela atuação, há mais de 50 anos, no projeto e fornecimento de componentes de carros para diversas categorias do automobilismo mundial, incluindo a IndyCar (antiga Formula Indy) Formula 2, Formula 3, Fórmula E, WEC e IMSA. Segundo a empresa, essa variedade de competições amplia a necessidade de simulação de desempenho dos veículos. A Dallara também atua com veículos de estrada e no setor aeroespacial.
Como parte do projeto, a IBM está criando modelos específicos para o setor automotivo, em colaboração com a Dallara. Esses modelos utilizam dados aerodinâmicos de alta fidelidade. Em uma próxima etapa, as equipes pretendem integrar medições de veículos reais em túnel de vento e em pista.
Segundo as partes, engenheiros ainda dependem da Dinâmica de Fluidos Computacional (CFD) para prever forças aerodinâmicas e otimizar o desempenho dos veículos em componentes como carroceria, assoalho, asas e rodas, mas essas simulações são custosas do ponto de vista computacional. Mesmo análises menores e específicas podem levar horas, enquanto fluxos de trabalho completos para o desenvolvimento de um carro de corrida podem levar semanas ou meses. A ideia é usar IA para acelerar esses processos sem substituir a simulação física.
Em paralelo, as duas empresas dizem estar começando a explorar abordagens quânticas e métodos híbridos quântico‑clássicos para aprimorar o trabalho de design em carros de corrida. A colaboração irá avaliar em que casos esses métodos podem complementar fluxos de trabalho tradicionais a curto prazo, e identificar oportunidades de longo prazo.
Os resultados iniciais da colaboração estão em um estudo preliminar publicado no arXiv em 20 de abril de 2026. O trabalho se baseia em um modelo de IA desenvolvido pela IBM, chamado Gauge‑Invariant Spectral Transformers (GIST), descrito em estudo preliminar publicado em 17 de março.