O mercado de trabalho brasileiro demite quase metade das mulheres em até dois anos após o parto. O dado é de uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas e evidencia a disparidade de gênero presente nas organizações. Foi o caso de Athina Andrade, líder de Recursos Humanos na época, a psicóloga perdeu o emprego após informar à companhia que teria uma disponibilidade menor para viagens enquanto buscava a guarda do filho.
“Alguns dias depois de informar a empresa, fui desligada, sem que houvesse qualquer histórico de feedbacks de redirecionamento ou avaliações de performance abaixo do esperado. Essa vivência reforçou o quanto ainda temos a avançar na construção de ambientes verdadeiramente inclusivos e sustentáveis, que considerem a complexidade real da vida das pessoas. Ser mãe não desacelerou minha carreira, pelo contrário, trouxe clareza, força e um senso de propósito ainda mais profundo sobre onde e como posso gerar impacto de forma consistente”, defende.
Demitida no retorno de sua licença-maternidade, a professora aproveitou a crise para seguir uma paixão antiga: os dados. E foi em um dos cursos gratuitos sobre análise de dados da PrograMaria que ela conta ter recebido a base que precisava para migrar de área.
“Em algum momento do doutorado, ficou claro pra mim que o volume e a complexidade dos dados estavam crescendo e que quem soubesse trabalhar bem com isso teria um diferencial enorme. Comecei a me aprofundar bem na época em que fui demitida e logo veio o curso da PrograMaria, que me deu a base para conectar com outros conhecimentos.”
Hoje, Alessandra atua usando ferramentas preditivas computacionais que possam reduzir testes em animais. Bióloga de formação, ela compartilha o processo de transição de carreira em suas redes sociais (@cientificavida), buscando ajudar outras mulheres da academia que também buscam em fazer esta transição. “Agora quero consolidar ainda mais essa transição, fortalecendo minha base e ampliando minhas possibilidades de atuação, principalmente em contextos que conectem ciência, tecnologia e tomada de decisão, seja na indústria, seja em projetos mais aplicados”, conta.
Como participar da campanha
A campanha Programando Recomeços, que teve início ontem, irá até esta quarta-feira (06), opera no modelo de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria, com a meta de arrecadação dividida em três pilares de impacto:
- Meta 1 – 30 mil reais – Resgate de 100 Carreiras a partir do acesso gratuito ao curso “Análise de Dados: meus primeiros passos em Python”, focado em competências técnicas e no senso de pertencimento;
- Meta 2 – 70 mil reais – Mentoria e Empregabilidade, com sessões individuais e coletivas para contribuir para que o conhecimento se converta em contratações reais;
- Meta 3 – 100 mil reais – Dobrando o Impacto, uma expansão para acompanhar 200 mães em sua reinserção no ecossistema tech.
Além disso, o projeto oferece diversas recompensas oferecidas pela própria rede da PrograMaria, desde workshops até produtos físicos. Entre os destaques estão: Workshop de manutenção residencial com a influencer Jaque Pinheiro, Workshop de Comunicação e Oratória, com a especialista Mari Godinho, e mentoria com Silvia Coelho, fundadora do Elas Programam. Também há experiências simbólicas e afetivas, como o vídeo de agradecimento de uma mãe impactada e a cartinha escrita à mão pela fundadora Iana Chan.
Para o setor corporativo, a instituição abre o canal para as “Empresas Madrinhas”, marcas que desejam apoiar a campanha e se posicionar como aliadas da diversidade. “A maior parte das recompensas foram doadas por pessoas da comunidade PrograMaria que acreditam no nosso trabalho e querem fazer parte desse movimento”, comemora a empreendedora social.
